
No dia 12 de agosto, o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas da Bahia (SINDOMÉSTICO/BA) participou de uma aula pública na Praça da Piedade, em Salvador, promovida pela Colizão Zumbi dos Palmares e pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN). A atividade marcou a data de lembrança da Revolta dos Búzios, movimento revolucionário ocorrido em 1798, também conhecido como Conjuração Baiana, que defendeu ideais de liberdade, igualdade e o fim da escravidão.

A presidenta do sindicato, Milca Martins, ressaltou a relevância do ato para a memória e resistência da população negra. “Foi uma aula muito importante para entendermos e fortalecermos a luta do povo negro no Brasil, em especial na Bahia, onde a Praça da Piedade guarda a memória de grandes perdas de vidas negras. É um espaço de resistência que precisa ser valorizado”.
O encontro relembrou que, após a repressão ao movimento, quatro líderes negros — Lucas Dantas, Manoel Faustino, Luís Gonzaga e João de Deus — foram executados e decapitados, tendo suas cabeças expostas em diferentes pontos de Salvador como forma de intimidação. Na Praça da Piedade, um monumento preserva essa memória.

A programação também deu destaque à participação das mulheres na Revolta dos Búzios, trazendo uma visibilidade necessária para suas histórias e contribuições. Foram lembradas: Dominga Maria de Nascimento, Thereza Francisca, Luiza Francisca de Azevedo, Thereza Maria de Conceição, Ana Romana Lopes, Lucrecia Maria Gonçalves, Clara Maria, Vicência Maria e Maria.
Além do SINDOMÉSTICO/BA, participaram da aula pública diversos movimentos sociais, coletivos de mulheres negras e lideranças, como Denise Santana, Jussara Santana, Rita de Cássia e integrantes da Coletiva de Mulheres Negras Creuza de Oliveira.
Para Milca Martins, a atividade reafirma a importância de preservar e reconhecer a memória histórica. “A história do povo negro é marcada por resistência e coragem. Honrar essa memória é também lutar por um futuro de liberdade e igualdade”.













