O SINDOMÉSTICO/BA promoveu mais uma edição da Roda de Diálogos. O evento discutiu os direitos da infância negra e o enfrentamento da violência contra mulheres negras e LGBTQIA+ e reuniu cerca de 52 mulheres para uma tarde de escuta, reflexão e fortalecimento coletivo. O encontro foi mediado por Creuza Oliveira, secretária de Formação Sindical e de Estudos do sindicato e referência histórica na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas.

O evento contou com duas palestras principais, que abordaram temas fundamentais para a luta antirracista e feminista no Brasil: os direitos da criança e do adolescente negro e o combate à violência contra mulheres negras e LGBTQIA+.
A palestrante Isabel Cristina Rocha Santos destacou a trajetória de exclusão histórica enfrentada por crianças e adolescentes negros. Ela mencionou a Lei de 1927, conhecida como “Lei dos Menores”, e seus impactos negativos na criminalização da juventude negra. A palestra também relembrou a obra Capitães da Areia, de Jorge Amado, como reflexo das mazelas sociais enfrentadas por jovens negros em situação de vulnerabilidade.
Isabel ressaltou o papel transformador do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veio substituir visões punitivistas e propor políticas de ressocialização e garantia de direitos.
A segunda palestra foi conduzida por Jurema Telles, que falou sobre estratégias de enfrentamento da violência contra mulheres negras e pessoas LGBTQIA+. Em sua fala, destacou a necessidade de sobrevivência e resistência diária.

Ela citou a canção “14 de Maio”, de Lazzo Matumbi, como símbolo de luta e memória da resistência negra no Brasil, destacando a importância da organização coletiva para combater a violência estrutural e institucional.
Durante o encontro, também foi reforçada a importância da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) como ferramenta não apenas de proteção, mas também de educação e transformação social. As rodas de conversa são reconhecidas como estratégias educativas que promovem escuta, prevenção e conscientização.
Participação na Marcha do 25 de Julho
O evento também celebrou a expressiva participação do sindicato na Marcha do 25 de Julho, dentro do calendário do Julho das Pretas. A concentração aconteceu na Praça da Piedade, descendo até a Praça Castro Alves, em Salvador, reunindo mulheres negras de diversos segmentos em uma grande manifestação pela reparação e pelo bem-viver.
A presidenta do Sindoméstico/BA, Milca Martins, destacou a importância da mobilização. “Mais uma vez, as trabalhadoras domésticas do estado da Bahia participaram da Marcha do 25 de Julho junto com o movimento feminista. Foi um momento importante de luta, resistência e reparação. Tivemos o espaço para denunciar casos de trabalho escravo no trabalho doméstico e reafirmar nossas bandeiras. Estavam presentes mulheres negras de várias comunidades, muitas delas chefes de família, segurando cartazes, gritando por justiça. Viva o 25 de Julho, o antagonismo é nosso. Rumo à marcha para Brasília, pela reparação e o bem-viver.”













