
O SINDOMÉSTICO/BA integrou, na última terça-feira (25), a delegação de Salvador que participou da Segunda Marcha das Mulheres por Reparação e Bem Viver, realizada em Brasília. A comitiva reuniu trabalhadoras domésticas, a Rede de Mulheres Negras e o Movimento Feminista do Nordeste, em um ato que mobilizou mulheres de diversas regiões do país e do mundo.
Para a presidenta do sindicato, Milca Martins, a presença das trabalhadoras domésticas tem um significado especial. “Foi fundamental estarmos mais uma vez nesse movimento, reforçando que as trabalhadoras domésticas fazem parte da construção do documento produzido por mãos negras, pautado na reparação e no bem viver. Seguimos em marcha e esperamos o compromisso dos parlamentares e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a luta das mulheres negras, em especial das domésticas, que diariamente têm seus direitos desrespeitados.”
A luta contra o trabalho doméstico escravo e o caso Sônia Livre
A Marcha também reforçou a urgência do enfrentamento ao trabalho doméstico escravo, realidade que ainda atinge principalmente mulheres negras no Brasil. Um exemplo que evidencia essa violência histórica é o caso de Sônia Maria de Jesus, conhecida como Sônia Livre, resgatada em 2023 após mais de 40 anos submetida a condições análogas à escravidão na casa de um magistrado em Santa Catarina. Durante todo esse período, ela viveu sem salário, sem acesso a direitos básicos e sem documentos — obtendo seu registro civil apenas aos 45 anos.
Mesmo assim, a Justiça permitiu que ela retornasse à residência dos responsáveis, decisão amplamente criticada por auditores fiscais, entidades de direitos humanos e movimentos de mulheres negras por representar a continuidade de práticas escravocratas no país.
O caso de Sônia simboliza como o trabalho doméstico, especialmente quando realizado por mulheres negras, segue exposto à exploração extrema, à violação de direitos e à impunidade. Sua história segue impulsionando campanhas nacionais por justiça, reparação e pelo fim definitivo da escravidão contemporânea.
A presença das trabalhadoras domésticas na Marcha reforça a importância de fortalecer a luta por dignidade, respeito e reconhecimento. Como destaca a presidenta Milca Martins. “É muito importante sair do nosso estado, somar com esse movimento de mulheres e vir para Brasília para fortalecer também a nossa luta. Seguimos juntas, em marcha. Viva as mulheres negras do mundo!”













